segunda-feira, 17 de novembro de 2008

COLOQUE UM SOL NO SEU CORAÇÃO

Gosto de te ouvir quando acordo e ao deitar. És pequena e clara, rimas com o amor, mas deixaremos isso nas entrelinhas assim como Bob Dylan faz.

Por que me escolheste? Sei que parte da culpa é minha, insisti por anos a fio e agora estás sempre comigo. Quantas noites desejei ser feliz e sorrir ao te ver por inteiro? Quase posso tocá-la, mas preciso de um pouco mais de tempo até ter certeza.

Lembra? Quando te conheci nem falava inglês e eu ainda era imberbe. Cresceste comigo, aprendeste o que não aprendi e corajosamente estás junto a mim, mesmo sabendo que te ponho de lado, sometimes.

Gosto quando estou distraído, no pensamento amenidades, você sorrateira aparece e com a sua beleza me faz calar. Sua voz então, preenche o vazio da melancolia no silêncio da rotina. Nesses momentos, como brisa suave, permites que eu descanse minhas divagações. Isn't she lovely?
Por vezes, no entanto, é tal a sua insistência repetindo frases sem sentido, mas que parecem novas ao meu ouvido, que me ponho a duvidar: realmente queres o meu bem? Amarga e irônica que nem jiló...

A sua efemeridade é minha constância, e minha capacidade de ser feliz onde quer que eu esteja, pois ansiosamente te espero, depende diretamente de sua luz.

Já que tudo me inspira a te tornar real, você acaba sendo um pedaço de tudo que vejo, a rosa, o sol, a saudade e a esperança. Só para lembrar... tua memória é curta a minha me tortura, pois então te contarei sobre ontem:

Ao subir a ladeira para ir ter com o sol, sussurraste umas palavras e logo começaste a gritar. Onde estavas com a cabeça? Apressei o passo disposto a fugir, mas você veio atrás e se posicionou entre mim e a esfera de hidrogênio e hélio que queima indefinidamente no céu.

Sem escolha te acompanhei e o que falavas passou a fazer sentido. Desejei-te, mas foste você quem quis ir até onde moro. Vamos conversar... cada investida minha uma dúvida até que deliberadamente não me deixaste dormir.

Sonhei sonhos reais e burilei a sua imperfeição nos arquivos submersos do meu secreto. Você me fez sofrer, mas sorri ao acordar e me deparar contigo imóvel e perfeita. Minha mente silenciara, poderia te buscar sempre que quisesse agora era somente minha.

Eu te dei vida e com o violão te recriaria: minha música, melodia e canção.

Julio Lins 9/04/2003, Salvador.

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