
Estava correndo nas suas brincadeiras de criança, cansou e suspirou. Do suspiro notou-se um breve silvo suave, era só um assobio. Susto, exclamação, felicidade!
- Agora já sou homem feito!
Propagandeava com orgulho o seu feito. Podia ir para a escola ao som da melodia apreendida ainda no colo, quando sua mãe cantava, antes da doença aparecer, aquela que calara sua voz afinada e triste.
O pai, muito saudoso, proibiu tal execução musical... agora, assobios só escondidos no sóton onde guarda as fotos de quando o homem foi à lua. Queria porque queria ser astronauta, fugindo dali numa espaçonave de prata com lasers multicoloridos talvez a encontrasse. Lá os cabelos dela ainda brilhariam refletindo o sol, e a sua estória, a preferida, seria contada indefinidamente.
Sempre com os olhos de sua alma voltados para a lua, crescia lentamente e sem querer. Foi assim que os anos passaram e ele estático permaneceu. A sua imaginação era sua realidade, não queria distinguir, pois a dor poderia ser insuportável.
Mostrando-se a viagem ao satélite inviável, pelo menos com a mesada que recebia, fingia no passeio à casa dos avós que na volta ela estaria lá para o abraço antes habitual, mas faltoso depois que tinha viajado viagem longa.
- Já está voltando na segunda, na segunda ela chega!
Enganava-se.
Decidiu, não sem tempo, acompanhar o tempo e sem demora permitiu-se sorrir e guardar os aconchegos e aquela voz na memória, não sofreu mais. O que recebera até então já era o bastante, e partilhar lhe parecia o caminho natural...
Estudou, brincou, cantou, compôs, amou ,amou, sorriu, recuou, perdoou, gerou, renasceu.
Viveu seus anos e Segunda nunca chegou, mas teve terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos ensolarados e felizes. A alegria era afinal estar ali com os seus...
Julio Lins 23/05/2003
Viveu seus anos e Segunda nunca chegou, mas teve terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos ensolarados e felizes. A alegria era afinal estar ali com os seus...
Julio Lins 23/05/2003
0 comentários:
Postar um comentário